O QUE VEM À REDE

Conserveira de Lisboa

A Tricana e o rio | Por Fernando Melo

Diário de Notícias

Conhecemos desde miúdos o universo das conservas, atum e sardinha, de abrir um pão e substituir a refeição por uma bela sanduíche. Nas nossas despensas, habituámo-nos a ter latinhas da nossa preferência em jeito de comida de reserva para dias em que se deu dispensa ao fogão ou simplesmente não apeteceu cozinhar. A opção da conserva é, no entanto, nutricionalmente muito válida, pois se a marca é de confiança os peixes utilizados foram tratados, processados e acondicionados com o maior cuidado. Historicamente, recebemos de braços bem abertos os pioneiros da indústria conserveira, que fugindo à míngua e crise nos seus recursos aquícolas se encantaram com o pescado que encontraram na nossa fabulosa linha de costa. Tavira, Setúbal, Murtosa, Matosinhos, Póvoa de Varzim e Açores foram centros de excelência que alcançaram, a par da cortiça, reputação mundial para Portugal.

 

"Duetos de rio à mesa"

 Eventos à mesa, table

By Patrícia Serrado Mutante

Dueto de rios à mesa

O Douro e o Tejo apresentaram-se no Conceitus Winery Restaurant pelas mãos de dois chefs portugueses, para uma amistosa competição em torno da gastronomia de raíz na companhia de um bom legado de Baco.

"Tejo e Douro” é o nome da iniciativa que juntou Rodrigo Castelo, da Taberna "Ó Balcão", em Santarém, e José Pinto, do Conceitus Winery Restaurant, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, em Covas do Douro, no sentido de fundamentar quão importante são as tradições regionais de cada cozinha, com enfoque no peixe de rio, sem deixar de parte o toque de contemporaneidade, que tão bem faz à gastronomia nacional, neste caso acompanhada pelos vinhos da Quinta Nova.

Em jeito de boas-vindas, é servido o Clã Moscatel Douro, da Quinta Nova, que acompanha a visita ao hotel vínico, outrora uma casa de família erigida no coração da mais antiga região vitivinícola demarcada do mundo que, na época, era navegada por barcos rabelos que transportavam, rio acima, rio abaixo, os vinhos do Porto e da região até aos armazéns, em Vila Nova de Gaia.

 

Aldeias Avieiras

O Tejo e a cultura Avieira

O barco, como se lhe referem os Avieiros, faz parte de uma narrativa que define o que é Ser Avieiro e onde sobressai a memória do barco-casa e da ordem social que nesta associação se exprime. A ré́ é imaginada como o espaço do homem e da pesca, o espaço sujo; a proa é o espaço da mulher, a casa. Esta demarcação de espaço pontuava a das tarefas do casal. A mulher tomava conta da casa em tarefas que iam do cozinhar à condução literal da casa – a imagem do governo feminino dos destinos da casa era aqui associada também à tarefa de remar, de governo do barco, enquanto o companheiro ia preparando, lançando e recolhendo as artes. 

A importância desta viva memória do barco como espaço social, doméstico e laboral é hoje reforçado pelo recurso à bateira como signo de representação associativa na comunidade avieira é, hoje, um indicador adicional da sua importância como marcador identitário. 

Com efeito, parece lícito falar de uma heráldica avieira em que a bateira ocupa o lugar central. Para além de todas, ou quase todas, as associações e grupos formais de avieiros possuírem uma ou mais bateiras recuperadas como ‘seu’ património, elas incorporaram também imagens mais ou menos artísticas da bateira na sua heráldica associativa.

Cultura avieira
 

Um repasto frugal

Por Fernando Alves

21 Julho, 2020

Um repasto frugal

Num dos "25 poemas da triste alegria", Carlos Drummond de Andrade convida um amigo, tomemos que convida o leitor, para a sua casa nova. O poema vai descrevendo as "paredes limpas", a mesa onde escreve e sobre a qual há "um ramo de rosas frescas". Consta que Mário de Andrade fez um reparo mais severo a um dos versos desse poema da fase juvenil do mineiro de Itabira, aquele em que Drummond aponta o banco em que se hão-de sentar, ele e o amigo, ele e o leitor, para um "repasto frugal". Mário de Andrade considerou "horrível" essa expressão paradoxal. Na verdade, o que será um repasto frugal?

 

Professores do CESAM participam na edição de um livro sobre peixes, receitas e tradições do rio Minho.

26 de Abril, 2020

Peixes do Rio Minho
 

Conservas de peixes do rio.

Um novo Mundo de sabores para descobrir.

Por Vera Lúcia Marques

15 de Abril, 2021

As conservas, nomeadamente em lata e de peixes de mar, são um produto incontornável nas cozinhas dos portugueses e fazem também parte da cultura industrial e gastronómica do país. Menos conhecidas e ainda um território por explorar estão as conservas de peixe do rio, com destaque para a premiada empresa Bem Amanhado, com o sável a ser a próxima aposta.

 
Achigã assado no forno #conservas

1º Guia Nacional de peixes de água doce e migratórios

1º Guia nacional dos peixes de água doce e migradores
 

O peixe do rio nunca mais será o mesmo

Por Edgardo Pacheco (texto) e Ana Brígida (fotografia).

28 de Janeiro de 2022, 11:01

Fonte: Jornal Público

O chef Rodrigo Castelo é uma canseira. Mas, calma, uma canseira boa. Numa recente viagem entre Santarém e o cais fluvial de Lentiscais, na margem do rio Pônsul (Castelo Branco), o criador do restaurante Ó Balcão não parou de desfilar ideias, projectos em execução e outros que estão em fermentação.

Vieram à baila galinhas e Rodrigo demora um minuto a meter em alta-voz um amigo que está à procura de ovos para instalar uma linha pura das quatro raças das galinhas portuguesas (preta lusitânica, pedrês, amarela e branca). 

A conversa continua com a questão da rigidez dessas carnes, mas, quando alguém sugere o método de alimentação dos franceses poulets de Bresse, Rodrigo levanta a hipótese de se dar este ou aquele cereal, este ou aquele vegetal, esta ou aquela erva no final do ciclo de vida das galinhas. Certo.

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