ALANDROAL

Desde os primórdios dos tempos que o homem manteve uma forte ligação com o grande rio do sul, o Guadiana e os seus afluentes. Os percursos de água foram um forte vínculo para a fixação e subsistência dos primeiros povos autóctones, a maioria dos sítios arqueológicos do Concelho do Alandroal assim o indicam, pois localizam-se nas suas imediações. À semelhança de outras zonas ribeirinhas, as gentes do nosso concelho sempre obtiveram do rio uma aliança económica. Atividades, como a moagem de farinha, produzida nos imponentes moinhos à beira rio, caiu em desuso devido ao desenvolvimento da sociedade e das tecnologias. Os moinhos de água foram desativados, e os do Concelho do Alandroal encontram-se atualmente submersos pelo Lago de Alqueva.

Capelins

Juromenha

Alandroal

S.Brás

dos Matos

Terena

Santiago 

Maior

O contrabando na fronteira foi outra atividade que constituiu uma importância extrema para a economia das povoações, o Alandroal não foi exceção. Muitas histórias ainda deambulam na boca do povo obre uma atividade clandestina, que era o pão para a boca de muitos indivíduos, associado a um certo espírito de aventura. São histórias de luta pelo sustento numa época de grandes dificuldades. De um lado o contrabandista, de outro o guarda-fiscal e o «carabinêro», estes os protagonistas de peça dramática.

A pesca artesanal foi desde sempre, também uma atividade de ligação ao rio, o pescar à lapa, com galrito ou com tarrafa são alguns exemplos. Durante décadas o homem da raia utilizou os tradicionais barcos de madeira, conhecidos por «pateiras», para estender redes e capturar as várias espécies piscícolas, destinadas à subsistência das populações ribeirinhas. Com o passar dos anos diminuiu drasticamente, devido sobretudo, à sua reduzida rentabilidade. A partir de 1987, com a introdução de legislação, proibindo a utilização a utilização de determinadas artes e métodos de pesca e colocando restrições noutras, tornou a atividade ainda menos rentável. Estas condições conduziram ao abandono definitivo de algumas artes tradicionais.

Contudo a memória e os gostos gastronómicos ainda perduram no Concelho do Alandroal, os escassos indivíduos que ainda hoje se dedicam à captura do peixe do riso com base na atual legislação, fornecem aos restaurantes e outros clientes peixe para confecionar as mais variadas iguarias. Caldeta de peixe do rio, barbo no forno, lúcio perca grelhado ou de cebolada, peixe do rio frito, carpa de molho de poejo, entre outras receitas, são prazeres para uma boa refeição.

Anualmente o Alandroal faz render o peixe, os restaurantes e as populações preparam-se para receber os visitantes. No princípio do mês de março, a Mostra Gastronómica do Peixe do Rio, contribui para preservar na memória do povo a ligação «o homem e o rio».

In: “Alandroal – O Rio, o Peixe, as Gentes” – António Carrapato